Instituto Pensar - Oposição vai à justiça contra privatização da Eletrobras

Oposição vai à justiça contra privatização da Eletrobras

por: Ana Paula Siqueira 


A Oposição vai à justiça contra a aprovação da MP do Apagão, que avança o projeto neoliberal de desmonte do Estado promovido pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e permite a venda da Eletrobras. A medida que será tomada pelos partidos contrários à privatização da estatal, inclusive o PSB, foi anunciada pelo líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ).

\"?\" Vamos à Justiça contra a MP da privatização da Eletrobras!

? Alessandro Molon \"??\" (@alessandromolon) June 21, 2021

medida provisória 1031/20 foi aprovada na noite desta Câmara dos Deputados e permite a venda da estatal que é a maior empresa de energia da América Latina. Foram 258 votos favoráveis e 136 contrários.

A maioria da bancada do PSB na Casa votou contra a proposta, mas foi voto vencido, inclusive com participação de dois deputados dissidentes: Liziane Bayer (PSB-RS) e Rodrigo Coelho (PSB-SC).

O deputado Marcelo Freixo (RJ), que se filia ao PSB nesta terça-feira (22), afirma que Bolsonaro transforma itens básicos em artigos de luxo.

O desgoverno Bolsocaro transformou a carne, o gás de cozinha e agora a luz em artigos de luxo. Ou a gente tira agora esse sujeito ou não vai sobrar nada.

? Marcelo Freixo (@MarceloFreixo) June 21, 2021

Já o deputado Odorico Monteiro (PSB-CE) lembrou que enquanto Bolsonaro cria cortinas de fumaça, como a ofensa à jornalista e o não uso da máscara, aproveita para passar a boiada.

Enquanto o presidente destrata os jornalistas e tira a máscara para as câmeras, a boiada vai passando e tentando vender a Eletrobras. Vamos lutar até o fim! #EletrobrasPublica

? Odorico, PhD \"?\" VACINA JÁ (@odoricomonteiro) June 21, 2021

Corrida para privatizar Eletrobras

Para não perder a validade, a MP do Apagão precisava ser aprovada até esta terça-feira (22). Para garantir a aprovação a tempo, foi convocada sessão extraordinária para esta segunda. A medida já havia sido aprovada pela Câmara, mas foi alterada pelos senadores e, com isso, precisou ser novamente votada pelos deputados.

Leia também: Socialistas firmes contra a privatização da Eletrobras na Câmara

Apesar do governo defender que a privatização poderá reduzir as contas de luz até 7,36%, entidades e especialistas do setor preveem justamente o contrário. Afirmam que a conta vai ficar ainda mais cara porque o texto prevê medidas que geram custos que serão pagos pelos consumidores.

As MPs têm força de Lei a partir da publicação no Diário Oficial da União (DOU), mas precisam da aprovação do Congresso Nacional em até 120 dias. Caso contrário, perdem a validade. A proposta aprovada nesta segunda segue para sanção do presidente da República.

Modelo do desmonte neoliberal

O modelo de privatização proposto para a estatal é a capitalização, na qual são emitidas ações de forma a diminuir a participação da União no controle da empresa.

Atualmente, o governo tem cerca de 60% das ações da Eletrobras. Com a capitalização, esse percentual cairá para 45%. A previsão do governo é privatizar a Eletrobras até fevereiro do ano que vem, após concluir os trâmites necessários, incluindo os estudos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Mudanças do Senado

O relator da proposta na Câmara, Elmar Nascimento (DEM-BA), decidiu excluir do texto algumas alterações feitas pelos senadores.

Entre elas estão o item que previa que, até 1º de julho de 2026, todos os consumidores poderiam comprar energia de qualquer distribuidor. Os deputados decidiram debater o tema no projeto conhecido como novo marco legal do setor elétrico, em tramitação na Câmara.

Também ficou de fora a previsão de indenização ao estado do Piauí em razão da privatização da Cepisaa ,distribuidora local de energia, que até 2018 era controlada pela Eletrobras. O valor da indenização era estimado em R$ 260 milhões e seria pago pelos consumidores.

O texto aprovado para vender a Eletrobras

O texto aprovado pelos deputados prevê que o aumento do capital social da empresa será por meio da oferta pública de ações. Cada acionista ou grupo de acionistas não terá poder de voto superior a 10%. A União terá ação preferencial de classe especial, a "golden share?, que dará poder de veto nas deliberações sobre o estatuto social da empresa. Além disso, uma nova estatal será criada para administrar a Eletronuclear, que controla as usinas de Angra e a Itaipu Binacional, que não serão privatizadas.

Os jabutis da MP que privatiza a Eletrobras

O texto aprovado pelos deputados manteve parte dos "jabutis? incluídos pelos senadores. No jargão legislativo, "jabuti? é o trecho incluído em uma proposta com conteúdo estranho ao objeto original. Parte desses "jabutis?, na prática, pode aumentar a conta de luz dos consumidores

Alguns dos "jabutis? incluem exigência de contratação de termelétricas movidas a gás, reserva de mercado para contratação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), prorrogação dos contratos das usinas construídas por meio do Programa de Incentivos às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).

Termelétricas

O texto exige a contratação de usinas termelétricas movidas a gás natural para fornecimento de 8 megawatts (MW) de energia por 15 anos. Os parlamentares também determinaram que as usinas estejam instaladas nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, principalmente em localidades que não possuem infraestrutura de transporte de gás natural.

Essa infraestrutura terá de ser construída, o que elevará os custos para os consumidores de energia. Além disso, a energia produzida pelas usinas termelétricas é mais cara se comparada às usinas hidrelétricas, eólicas e solares, e os custos são repassados aos consumidores.

Pequenas Centrais Hidrelétricas

Os próximos leilões de energia terão reserva de mercado para contratação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). A regra vale para os leilões feitos até 2026. Especialistas dizem que a medida pode encarecer a conta porque a reserva de mercado contraria o princípio da livre concorrência nos leilões.

Proinfa

Os parlamentares incluíram na MP a prorrogação, por mais 20 anos, dos contratos das usinas construídas através do Proinfa. O programa foi criado em 2002, numa época em que, praticamente, só havia usinas hidrelétricas no país. Segundo especialistas, o preço pago pela energia dos projetos do Proinfa é superior ao valor de mercado, gerando custo adicional para os consumidores.

Linhão do Tucuruí

Pelo texto aprovado, o governo poderá autorizar a construção do Linhão do Tucuruí, sistema de transmissão de energia que vai ligar Roraima ao sistema elétrico nacional, sem necessidade de licenças ambientais do Ibama e da Funai. O linhão está para ser construído desde 2011, porém nunca saiu do papel porque torres de transmissão de energia precisam ser construídas na terra indígena Waimiri Atroari.

Empregados

Os empregados da Eletrobras demitidos após a privatização poderão usar o valor da rescisão para comprar ações da empresa pelo valor cotado cinco dias antes da edição da medida provisória pelo governo, em fevereiro de 2021. Os demitidos até um ano após a privatização poderão, ainda, ser realocados em outras estatais.

ONS

Pelo texto aprovado no Congresso, os nomes para a diretoria do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) terão de ser aprovados pelo Senado. O ONS é responsável por garantir o funcionamento do sistema elétrico nacional.

Revitalização das bacias hidrográficas

Os senadores e deputados aprovaram uma emenda que obriga o governo a criar em até um ano um plano de recuperação dos reservatórios das usinas hidrelétricas. O governo tem priorizado a água para geração de energia elétrica neste ano em detrimento de outras atividades econômicas que também precisam da água, o gerou críticas de vários senadores.

Realocação de pessoas

Os senadores obrigaram a Eletrobras custear a realocação da população que esteja morando abaixo de linhas de transmissão de grande capacidade (230 quilovolts).

Hidrovia Tietê-Paraná

A MP obriga o governo a melhorar a navegabilidade da hidrovia Tietê-Paraná, uma das mais importantes para escoamento de carga agrícola.

Rios Madeira e Tocantins

Obrigação para a Eletrobras reduzir estruturalmente os custos de geração de energia na Amazônia Legal, além de melhorar as condições para navegabilidade do Rio Madeira e do Rio Tocantins.

Vedações

Após a privatização, segundo o texto da MP, a Eletrobras não pode extinguir, fundir ou mudar de sede as seguintes subsidiárias: Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf); Furnas; Eletronorte; e Eletrosul. A regra vale por dez anos.

Para concluir a votação, os deputados analisam ainda os destaques, isto é, propostas que visam modificar o conteúdo da MP, que segue na noite desta segunda-feira.

Com informações do G1



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